Polícia
Três pessoas foram presas nesta quinta-feira (5) durante a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga a venda de medicamentos oncológicos falsificados e um possível esquema de lavagem de dinheiro em São Paulo. Entre os alvos está a distribuidora Nacionalfarma, apontada pelas investigações como parte central do esquema.
A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em parceria com a Polícia Civil. Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em municípios do interior e na cidade de São Paulo.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de sete empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
Os presos foram identificados como Nalva Braz do Nascimento, Petter Gabriel Cavalcante Chagas e Sharlene Chaves Barbosa. Segundo as investigações, Nalva seria responsável pelo controle da Nacionalfarma, enquanto Petter fazia a intermediação com o mercado hospitalar e Sharlene participava das movimentações financeiras por meio de empresas ligadas ao grupo.
As apurações começaram em 2024, depois que um fabricante identificou a comercialização de um medicamento imunoterápico falsificado para um hospital da capital paulista. Análises laboratoriais constataram que o produto não possuía o princípio ativo esperado.
Mesmo após a primeira fase da operação, deflagrada em novembro daquele ano, a distribuidora teria continuado em funcionamento. Fiscalizações da Vigilância Sanitária de Araraquara apontaram que a empresa permanecia ativa e que sua responsável dificultava a realização de inspeções.
Em abril de 2025, a Nacionalfarma teria vendido nove unidades de outro medicamento oncológico falsificado a um hospital particular de Araras, no interior de São Paulo. Segundo as autoridades, uma das doses chegou a ser administrada em um paciente. As outras oito unidades foram recolhidas.
A distribuidora substituiu os produtos por medicamentos de um lote que correspondia ao de uma carga roubada em 11 de novembro de 2024, em Uberaba, Minas Gerais.
Ainda conforme as investigações, entre janeiro e novembro de 2024, as vendas declaradas do medicamento investigado ultrapassaram R$ 1,5 milhão, com compradores em pelo menos sete estados. Também foram identificadas empresas ligadas ao grupo que não possuíam estrutura operacional nos endereços registrados.
Os medicamentos falsificados são utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer em estágio avançado, como tumores de pulmão, rim, estômago, esôfago e melanoma.
Segundo o Gaeco, a operação busca interromper as atividades investigadas, consideradas uma ameaça a pacientes em tratamento oncológico, além de recuperar os bens e valores supostamente obtidos pelo grupo. As investigações continuam com a análise do material apreendido.
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