Política

Delação de ex-dono da Reag cita Jaques Wagner e ACM Neto em investigação sobre Banco Master

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O empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag, delata políticos baianos e revela detalhes sobre operações do Banco Master  |   Bnews - Divulgação BNEWS / Arquivo
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 06/11/2026, às 17h57 - Atualizado às 18h30



O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta sexta-feira (6) o acordo de delação premiada do empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da gestora de investimentos Reag e investigado no caso Banco Master. A colaboração menciona dois nomes de destaque da política baiana: o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), candidato derrotado ao governo estadual. As informações são do UOL.

No caso de Wagner, Mansur relatou que providenciou ingressos para o show da cantora Taylor Swift, realizado em 2023, no Allianz Parque, em São Paulo, avaliados em R$ 63,3 mil. A compra teria sido solicitada por Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, para presentear o senador. Quando o episódio veio à tona, em agosto, Wagner afirmou que se tratou de "um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos". Também declarou que "não conhece João Carlos Mansur e nunca teve relação com a empresa Reag".

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Já ACM Neto aparece na colaboração em razão de sua relação comercial com a gestora. O ex-prefeito é cotista exclusivo do fundo de investimentos Seattle 95, administrado pela Reag até 2025, por meio do qual realizou aplicações no fundo Structure, ligado a operações de empréstimos consignados originados pelo Banco Master. Em agosto, Neto informou que o fundo Seattle foi criado no final de 2021, com recursos próprios de "origem declarada e lícita".

A delação de Mansur tem como principal alvo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O acordo reúne 17 anexos com informações sobre suspeitas de crimes financeiros e prevê o pagamento de R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao que o empresário afirma ter recebido da Reag durante o período em que esteve à frente da companhia. Segundo seu relato, a gestora prestava serviços ao Master desde 2019, estruturando operações por meio de fundos de investimento.

Entre os mecanismos descritos pelo empresário está a utilização de fundos para supostamente desviar recursos do banco, com participação de pessoas interpostas e estruturas financeiras no exterior. Um dos exemplos é o Jaguar Multimarket Fund Ltd., registrado nas Ilhas Cayman, que recebeu R$ 494 milhões do Master. Embora Benjamim Botelho apareça formalmente como beneficiário, Mansur sustenta que o verdadeiro proprietário seria Vorcaro.

A homologação ocorreu após a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitar urgência na análise do acordo, em 25 de outubro. Os investigadores demonstravam preocupação com a possibilidade de perda de valor de ativos financeiros dos envolvidos, que poderiam ser utilizados para ressarcir prejuízos em caso de condenação. Mansur também foi alvo das operações Carbono Oculto, que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a Reag e o crime organizado, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.

Com a homologação, a colaboração passa a ter validade jurídica, mas as informações apresentadas pelo empresário ainda precisam ser confrontadas e corroboradas pelas investigações. A expectativa é que os documentos e relatos contribuam para esclarecer a movimentação de recursos do Banco Master, as operações estruturadas pela Reag e a eventual participação de outros envolvidos no esquema investigado.

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