Artigo
por Alex Torres
Publicado em 04/11/2026, às 15h39 - Atualizado às 16h31
A saída do técnico Jair Ventura do comando do Esporte Clube Vitória, na última terça-feira, pegou muitas pessoas de surpresa. O espanto, entretanto, não aconteceu devido ao fator "merecimento". Se dependesse da maior parte da massa rubro-negra, o treinador já estaria na lista do desemprego desde o início de setembro, mais precisamente, após a eliminação para o Vasco da Gama, pela Copa do Brasil.
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Na ocasião, o presidente Fábio Mota convocou uma coletiva para atualizar a situação da comissão técnica e elenco. Como parte da imprensa que sou, pensei como a maioria dos colegas: "É, dessa vez não tem jeito, ele vai cair". A demissão naquele momento não aconteceria pela eliminação, mas por uma série de desempenhos muito abaixo do esperado, somatizados com 'boatos' de atritos internos e uma postura muito ruim do próprio Jair Ventura, que parecia se recusar a responder certas perguntas (dúvidas normais de muitos torcedores, inclusive) e demonstrava ares de arrogância, que lembrava até outro comandante que já passou por essas bandas.
O plot twist do encontro no Barradão, entretanto, é que não havia nenhuma novidade. A coletiva foi convocada para cravar a permanência de Jair até o final do Brasileirão, dizer que o elenco estava fechado com o treinador e clamar pelo retorno da torcida ao estádio, que já estava com a paciência mais do que saturada do técnico e das justificativas do presidente.
Parecia um jogo de paciência com a torcida. Se em outros momentos, o Barradão batia entre 20 e 25 mil torcedores, passou a cair gradativamente chegando a pouco mais de 10 mil em algumas oportunidades. Por vezes, cheguei a me questionar: será que vai voltar àqueles "cinco mil de sempre"? De todo o modo, a decisão estava tomada e a permanência não deveria ser mais algo a ser questionado em 2026, pelo menos assim eu entendi.
Depois do resultado contra o Coritiba, no último sábado, na bancada da Baiana FM, fui perguntado se o técnico cairia e até afirmei: "acho que não e também acredito que nem tenha mais 'timing' para se pensar nisso". Faltam apenas cinco rodadas, a equipe entrou de vez na luta contra o rebaixamento. Acreditar que Fábio Mota voltaria atrás, demitiria Jair Ventura e traria um 'messias' para botar ordem na casa e resolver os problemas em cinco jogos me parecia algo fora de questão.
Por tudo isso, digo que não imaginava que a demissão fosse acontecer. Me questiono, inclusive, se era o melhor para o momento. Não parece existir 'plano B' por parte da diretoria, o tempo é muito curto e, a depender de quem vier, quando pensar em corrigir os erros, o 'trem da história' já pode ter passado. Mas é aquela coisa, existem situações que acontecem nos bastidores que nem nós, que somos jornalistas, temos o total conhecimento. Ao que me parece, o Vitória errou novamente o 'timing' para a demissão do seu treinador.
Em 2025, quando o trabalho de Carpini já dava sinais claros de desgaste e limitação, o mesmo foi mantido durante a intertemporada, mesmo com desempenho pífio no Baianão, Brasileirão e Copa Sul-Americana. Precisou ser eliminado pelo Confiança, na Copa do Nordeste, no primeiro jogo após uma parada de um mês, para perceber que não dava para confiar (perdão pelo trocadilho).
Como a pior decisão é sempre a próxima, trouxeram outro treinador reprovado pela esmagadora maioria da torcida. O resultado? Uma vitória em nove jogos, com direito a uma goleada por 8 a 0, sendo a maior sofrida por um clube da Série A na 'Era dos Pontos Corridos'. Vou poupar os comentários sobre a passagem de Rodrigo Chagas, pelo respeito à figura e por entender que ele talvez só estivesse "no lugar errado e na hora errada".
Trago tudo isso aqui com a finalidade de dizer que as experiências, principalmente as ruins, deveriam servir como aprendizado. Aparentemente, só quem 'criou casca' com toda essa situação foi o torcedor, que em respeito a sua própria saúde mental, optou por se preservar diante de um cenário que já parecia desenhado e trocou o domingo no Barradão, talvez por um momento com sua família.
A demissão de Jair Ventura não me parece representar uma solução para evitar o rebaixamento do Vitória neste momento. Acredito que ela poderia ter representado nos dias seguintes àquele 4 de setembro, quando aconteceu a fatídica coletiva. A mensagem que me passa agora é de desespero e falta de convicção. Não existe nome engatilhado para assumir, o clube entrou de vez na luta contra o Z-4 e como diria Carlos Drummond de Andrade: "E agora, José?".
Quando havia tempo para tentar mudar os rumos da temporada, o Vitória escolheu a continuidade. Agora, com apenas cinco rodadas pela frente, decidiu apostar na ruptura. O problema não é necessariamente a demissão de Jair Ventura. É o momento em que ela aconteceu. O problema não é apenas errar nas decisões, mas perceber que errou quando já não existe tempo suficiente para corrigir.
Minha análise fria da situação é que a permanência do Vitória na Série A deverá passar muito mais pela competência (ou falta dela) daqueles que estão brigando na parte debaixo, do que por méritos próprios do Leão da Barra. Os times que estão lutando na segunda metade, incluindo o Vitória, têm feito muito esforço para serem rebaixados. Assim, a briga pelas últimas vagas vai ficar com aqueles que imploram mais pela queda.
Ao torcedor rubro-negro, peço que apertem os cintos e façam suas orações. Quem é de axé, vai de axé. Quem é de amém, vai de amém!
*Texto reflete exclusivamente a opinião do colunista e não representa, necessariamente, a posição editorial do BNews.
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