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Sombra Retrô: O Caçador do Iguatemi

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Os bastidores do passado da sociedade baiana  |   Bnews - Divulgação Arquivo
Editoria de Política

por Editoria de Política

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Publicado em 30/10/2026, às 05h40



O Caçador do Iguatemi
O Retrô soteropolitano também remete para quando o Iguatemi era passarela da alta sociedade e a elegância ainda se media pelo corte do paletó. Naquela época um personagem roubava a cena nos corredores do shopping. Egresso da tradicional Lido, dos irmãos Garrido, o impecável senhor parecia ter transformado o centro comercial em seu território particular de caça. Terno alinhado, sapatos engraxados e olhar atento, circulava entre vitrines, socialites e figurões que outrora vestiam roupas sob medida. Mesmo depois de deixar a loja, continuava frequentando o shopping religiosamente, conversando com personagens invisíveis e revivendo os tempos em que conhecia as medidas dos poderosos. Uns falavam em desilusão amorosa; outros, em saudade de uma Salvador que já não existia. Naquele Iguatemi, onde muitos caçavam prestígio, dinheiro e boas companhias, o velho caçador parecia perseguir o inalcançável: jovens marotos.

Pigalle e o Deputado
Nos anos 80, quando a noite começava depois da meia-noite e a discrição valia mais que imunidade parlamentar, a lendária Pigalle era uma espécie de Assembleia Legislativa sem regimento, quórum ou horário para encerrar a sessão. Um conhecido deputado, de oratória inflamada e vocação para Don Juan, frequentava o endereço com assiduidade digna de registro em ata. Entre uísques, belas companhias e histórias que atravessavam a madrugada, o parlamentar teria protagonizado causos que nem os mais criativos cronistas da boemia ousavam escrever. Na penumbra do cabaré, discursos viravam galanteios, promessas não precisavam de aprovação e alianças duravam, às vezes, apenas uma noite. O deputado conhecia melhor os corredores da Pigalle que os do próprio Legislativo e de lá, dizem, deixou um sucessor muito discreto, mas atualmente extremamente insatisfeito.

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Imagem gerada por IA

O Anão e o Jornalista 
Na Bahia dos anos 90, quando os escândalos de Brasília abalavam a República, um deputado baiano tornou-se celebridade nacional por uma façanha aparentemente divina: ganhar na loteria mais de duzentas vezes. João Alves de Almeida, protagonista do escândalo dos Anões do Orçamento, viu sua longa carreira parlamentar desmoronar em meio às revelações da CPI de 1993, que expôs um esquema de emendas, empreiteiras, entidades fantasmas e fortunas incompatíveis com os contracheques do Congresso. Mas um capítulo dessa história ainda pode ser contado e abalar a politica local. Um jornalista baiano entrevistou João Alves em seu apartamento no Morro Ipiranga, em Salvador, na presença de um advogado. O conteúdo da conversa permanece inédito e cercado de expectativas. O antigo deputado morreu em 2004, levando consigo muitas respostas sobre os bastidores daquela República. Mas o eventual registro da entrevista pode guardar revelações que nem a CPI conseguiu alcançar. João Alves dizia contar com a ajuda de Deus para ganhar na loteria. Agora, quase três décadas depois de sua morte, a pergunta é outra: será que o jornalista guarda um bilhete premiado capaz de fazer a Bahia tremer? Na política, há segredos que morrem com seus donos. Outros apenas esperam que alguém aperte o play.

Chalé Drinks e Tico-Tico 
Nos anos 70, 80 e 90, quando a elite saía dos salões de gala com mais uísque que juízo, o lendário Chalé Drinks era o destino de quem ainda tinha dinheiro, disposição e pouca vontade de voltar para casa. Políticos, empreiteiros, magistrados e milionários de sobrenomes tradicionais desembarcavam em carrões importados, buscando a discrição que a respeitabilidade exigia. Mas havia uma personagem que mandava mais que muito coronel: a irreverente Tico-Tico. Mulher negra, de personalidade exuberante, cabeleira volumosa e língua afiada, conhecia os poderosos, suas companhias e, sobretudo, seus hábitos de consumo. Os endinheirados chegavam embriagados e saíam com os bolsos consideravelmente mais leves. Entre brindes generosos, gorjetas e contas astronômicas, Tico-Tico teria transformado a madrugada numa escola de economia aplicada.

Classificação Indicativa: Livre

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