Política
O agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho, responsável por conduzir o presidente Lula à prisão em 2018, vai lançar o livro "Banho de Sol —os 580 dias da prisão de Lula", da editora WMF Martins Fontes, onde conta o período que acompanhou o período em que o petista ficou preso. Mas, o policial disse que, ao conduzir Lula até a sede da PF em Curitiba ouviu de populares: "Joguem esse lixo pela janela." "Não o soltem nunca mais."
Chastalo, conhecido como "Rodrigo Hilbert da Federal", vai contar no livro, em ordem cronológica, ao longo de 592 páginas como se deu esse período próximo a Lula. O UOL teve acesso aos capítulos iniciais do livro. As frases citadas foram repreendidas pelo comandante da aeronave que levava o presidente. "Peço que respeitem meu trabalho e se limitem a falar na fonia somente o essencial", disse.
Lula ficou preso até novembro de 2019 quando o STF determinou que a execução da pena só pode acontecer após o trânsito em julgado dos processos. Lula foi considerado culpado em primeira e segunda instâncias nos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia —a condenação foi mantida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Faltava o STF analisar a decisão. A Corte, entretanto, anulou por 8 votos a 3 as condenações por entender que o caso não deveria ser julgado pela 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, e sim pela Justiça Federal de Brasília.
Lula foi condenado a 12 anos e um mês na ação penal do triplex do Guarujá (SP), na Operação Lava Jato. Os investigadores informaram que o ex-presidente teria sido beneficiado com o repasse de R$ 3,7 milhões em propina – parte paga por meio do triplex no Guarujá (SP) - em troca de conceder vantagens à empreiteira OAS em contratos com a Petrobras.
No livro, Chastalo descreve a relação com a imprensa ("tive uma primeira experiência desagradável"), como a relação com o presidente foi construída (Lula faz piadas com o cabelo do policial e o trata sempre por "querido"), o cuidado com o banho de sol e o assédio constante de drones para fotografar a estada.
Ao UOL, Chastalo contou que a preparação para receber o petista durou três dias. "Naqueles dias, não acreditávamos que Lula realmente seria preso", escreveu. Ao chegar na superintendência da PF, Lula ficou calado e "com a fisionomia abatida", segundo o agente. "Me senti constrangido com a situação", diz.
A cela de Lula tinha uma cama de solteiro, uma mesa de alumínio quadrada, uma cadeira e um armário antigo com sinais de desgaste, além das duas janelas com grades fechadas com correntes, cujas aberturas eram de no máximo dez centímetros. A bagagem tinha dois calções, uma calça de moletom, três camisetas, um chinelo branco e um kit de higiene pessoal. Um barbeador e um cortador de unhas foram retirados e só foram entregues sob solicitação.
Ainda conforme o UOL, o primeiro banho de sol de Lula ocorreu apenas no quarto dia em um espaço usado para fumantes ou reuniões a céu aberto, cercado por paredes de dois metros, sem janelas e apenas uma entrada. Lula reclamou e comparou o local a uma jaula.
A WMF Martins Fontes esperou o fim das eleições presidenciais para o lançamento do livro para evitar, segundo a editora, o uso como "peça política ou instrumento de campanha".
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