Política

“Bruno Reis é alemão”: indígenas detonam Prefeitura por falta de ônibus nas eleições e protestam contra violência nos territórios

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Durante ato no Morro do Cristo, indígenas pedem explicações de Bruno Reis sobre a falta de ônibus e reivindicam direitos territoriais  |   Bnews - Divulgação BNews


A falta de ônibus durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último dia 25 de outubro, voltou a ser alvo de críticas em Salvador. Durante um ato realizado na manhã desta segunda-feira (2), no Morro do Cristo, na Barra, manifestantes indígenas cobraram explicações do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. 

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Com uma camisa estampada com a frase “Bruno Reis é alemão”, o manifestante Jairo Pereira afirmou que a mobilização também busca chamar atenção para a situação dos povos originários no país, especialmente diante do aumento das ameaças e dos conflitos nos territórios indígenas após o resultado das eleições.

A principal reivindicação da gente é sobre a questão dos povos originários. Eu acho que após a eleição, agora a gente teve uma ação muito agressiva da outra parte, do candidato que perdeu. Então a gente vem com essa ideia de realmente reivindicar esses direitos e nenhuma vida menos indígena. E a demarcação do território, que eu acho que é o principal disso tudo. E teve também a questão dos ônibus, nas eleições que foram bloqueados, teve interferência externa, pode-se dizer assim”, afirmou.

Além disso, quando questionado sobre o recado que gostaria de deixar ao prefeito Bruno Reis e ao secretário Pablo Souza, Jairo voltou a criticar a condução do transporte público durante o pleito e associou o comportamento do gestor à expressão estampada em sua camisa.

Eu acho que é o que Igor Kannário falou, que ele é alemão. Alemão, na linguagem da comunidade, é aquele cara que é traidor e que abandona suas origens. Então, eu acho que ele é meio que isso, tanto ele quanto ACM Neto. Que partem desse princípio de abandonar, de fato, o seu povo no momento que mais precisava, que era fazer o seu direito”, completou.

A violência contra comunidades indígenas e a necessidade de demarcação de terras também foram destacadas por Kuaray Payaya, liderança do movimento dos povos originários. Segundo a líder, os conflitos nos territórios têm se intensificado, com enfrentamentos envolvendo indígenas, grileiros e fazendeiros.

Reivindicamos principalmente a proteção para os povos indígenas porque a gente está vendo uma onda de violência nos territórios. Isso sempre aconteceu, mas agora está um pouquinho pior. E a gente reivindica principalmente a demarcação do território indígena porque se a gente consegue demarcar os territórios a gente consegue com que a violência diminua. Então as invasões nos territórios é constante, desde a chegada do colonial. Mas ultimamente, depois das eleições, a gente está vendo aí o enfrentamento das pessoas indígenas contra os grileiros, fazendeiros”, declarou.

Kuaray também criticou a redução da frota de ônibus durante o segundo turno, classificando a situação como crime eleitoral. A liderança ainda cobrou políticas de preservação ambiental em Salvador e na Região Metropolitana.

Aqui em Salvador também tem pessoas indígenas, que é importante seguir respeitando a diversidade das pessoas. No caso, o que foi feito com a diminuição da quantidade de ônibus para impedir a votação, isso é um crime eleitoral. E que nós continuamos resistindo na cidade, nos territórios tradicionais. E aqui na cidade a gente pede para que exista a preservação da Lagoa do Abaité, não só da Lagoa, mas de todo o território. Também de São Tomé de Paripe, que está enfrentando várias contaminações. E também na região metropolitana, a ilha de Itaparica, que também com essa questão da construção da ponte, muitos territórios também estão sofrendo ameaças”, acrescentou a líder do movimento.

Movimento cobra diálogo com a Prefeitura

Outro participante do ato, Thiago Tupinambá, ressaltou que a redução da oferta de ônibus também prejudicou indígenas que vivem em bairros periféricos de Salvador e precisaram se deslocar para votar. O manifestante destacou que a mobilização não se limita às reivindicações locais e envolve a defesa dos direitos dos povos originários em todo o país.

A gente, como a segunda maior população indígena do Brasil, a gente tem pessoas também indígenas que moram aqui em Salvador, pessoas indígenas também que vêm estudar aqui em Salvador e o que aconteceu, né, no dia 25, esse crime eleitoral, ele afetou também a gente, né, que também, mesmo morando em Salvador, tá morando em bairro periférico também, longe dos espaços eleitorais, e essa luta é pela política pública, que a gente tanto precisa, a gente precisa também de proteção dentro dos nossos territórios, é o que vem acontecendo no Brasil todo, pela demarcação do território indígena, pelas ameaças dentro dos nossos territórios”, afirmou.

O manifestante também disse que o movimento busca estabelecer um canal de diálogo com a administração municipal, mas ainda não conseguiu uma reunião para apresentar as demandas da população indígena que vive na capital baiana.

Como movimento indígena, a gente procura esse diálogo também com a Prefeitura, explicando sobre essa população indígena, sobre o que é que a gente também tá fazendo aqui dentro de Salvador, estudando, trabalhando. A gente nunca teve essa conversa, nunca conseguiu de fato ter uma reunião pra explicar também nossas demandas, mas a gente acha também que é assim que a gente consegue, né, lutando, manifestando, mostrando e falando pra gente conseguir ter esse diálogo também com a Prefeitura e assim como qualquer espaço, completou.

O ato integra a mobilização estudantil “Brasil com S”, convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE). A manifestação no Morro do Cristo reúne pautas relacionadas à defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais, além de manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

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