Política

STF decide não agir contra Flávio Bolsonaro após saída do Brasil e aposta em Alcolumbre para conter crise

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Corte opta por não alimentar palanque político do senador e foca em articulação com Davi Alcolumbre para barrar investidas contra ministros.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Agência Brasil
Gabriel Dinis

por Gabriel Dinis

Publicado em 30/10/2026, às 10h01 - Atualizado às 12h00



Em meio à crise gerada pela saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país e pela publicação de um manifesto em que o parlamentar contesta o resultado eleitoral, a cúpula do Supremo Tribunal Federal decidiu adotar uma postura de contenção de danos. As informações são do colunista Cexar Feitoza, do Uol.

Segundo a publicação, em vez de ordenar medidas coercitivas imediatas ou pedir a prisão do senador, magistrados da Corte avaliam que a melhor resposta institucional no momento é “ignorar” a movimentação de Flávio, concentrando esforços na estratégia de proteção política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

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A avaliação interna do tribunal indica que ministros do STF enxergam a atitude do parlamentar como uma provocação calculada para se colocar como protagonista político e se transformar em vítima de perseguição judicial. Uma reação imediata, como a de medidas cautelares só serviria para inflamar a bancada opositora no Congresso e atrapalhar entendimentos de longo prazo. Por essa razão, a orientação na Corte é agir com calma, deixando qualquer desdobramento para o rito processual comum.

Davi Alcolumbre e o freio no impeachment

O colunista detalha que o foco dos ministros do STF está voltado para as movimentações no Senado Federal. Com a composição da Casa renovada e uma pressão crescente da ala direitista pelo avanço de pedidos de impeachment contra magistrados, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes, o tribunal vê em Alcolumbre o principal escudo de proteção.

Nos bastidores, Davi Alcolumbre busca construir um ambiente de pacificação entre os Três Poderes ao mesmo tempo em que consolida sua sustentação para permanecer no comando do Senado por mais dois anos. Nesse jogo de estratégias políticas, já veio a público que Alcolumbre articula uma proposta de indulto humanitário ou anistia a Jair Bolsonaro com o objetivo de contemplar a bancada conservadora em troca do “esquecimento” de pautas contra membros do Judiciário.

Racha no Bolsonarismo

Segundo a publicação, a decisão do STF de desprezar Flávio Bolsonaro ganha força pelo fato de que o próprio senador ficou isolado em sua base política após divulgar a carta em que se autoproclamou o verdadeiro vencedor das eleições.

A atitude do parlamentar não teria encontrado respaldo nem mesmo na cúpula do seu próprio partido. Ao chegar para visitar Jair Bolsonaro em Brasília, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reprovou publicamente o manifesto de Flávio, expondo o desconforto causado na legenda.

O afastamento, segundo a publicação, ficou ainda mais evidente com a reação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que declarou entender a revolta do senador, mas cobrou respeito irrestrito ao resultado das urnas, defendendo a construção de uma oposição forte e focada no equilíbrio democrático.

Diante do isolamento político de Flávio Bolsonaro e da falta de apoio, colunista afirma que o Supremo aposta que o tempo e o pragmatismo das negociações no Congresso trabalharão a favor do esfriamento da crise, sem a necessidade de novas imposições judiciais diretas.

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