Meio Ambiente
A cidade de Antalya, na Turquia, sediará entre os dias 09 e 20 de novembro, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2026 (COP31), se tornando palco de discussões sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, transição energética, o financiamento climático, a adaptação aos impactos do aquecimento global, a preservação da biodiversidade, a segurança alimentar e a implementação das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris.
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Mas, há quase três décadas governos e autoridades tentam construir uma resposta conjunta às mudanças climáticas. São diversos os compromissos históricos acumulados desde o Protocolo de Kyoto, em 1997, passando pelo Acordo de Paris, em 2015, pela COP30, no ano passado, em Belém, até as negociações que chegam à COP31.
Há uma trajetória considerável de acordos importantes, mas com uma prática ainda distante dos objetivos estabelecidos.
Linha do tempo: os principais marcos da diplomacia climática
1992 — Rio de Janeiro
Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima foi aberta para assinatura. O documento estabeleceu a base para a cooperação internacional contra as mudanças climáticas e entrou em vigor em 1994.
1997 — Protocolo de Kyoto
O protocolo, adotado na COP3, no Japão, fixou metas de redução de emissões para países industrializados. Para o primeiro período de compromisso, de 2008 a 2012, as nações se comprometeram a reduzir as emissões, em média, 5% em relação aos níveis de 1990. O acordo entrou em vigor em 2005.
2009 — Copenhague
A COP15 terminou com o Acordo de Copenhague, documento reconhecido pela conferência, mas não adotado como tratado vinculante. Ele reforçou a discussão sobre o limite de 2°C de aquecimento e incentivou compromissos voluntários de redução de emissões. Na época, a falta de consenso entre os participantes evidenciou conflitos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
2015 — Paris
Na COP21, foi adotado o famoso Acordo de Paris, que passou a envolver países desenvolvidos e em desenvolvimento em um sistema comum de compromissos climáticos, entrando em vigor em novembro de 2016. O objetivo estabelecido é de manutenção do aumento da temperatura média global abaixo de 2°C e de perseguir esforços para limitá-lo a 1,5°C.
2021 — Glasgow
Na COP26 foi aprovado o Pacto Climático de Glasgow, com um chamado para a redução gradual do uso de carvão sem abatimento de emissões e à eliminação de subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis. Aliás, aqui houve uma inovação. Foi a primeira decisão final de uma COP a mencionar explicitamente a redução do carvão.
2023 — Dubai
Aqui houve a primeira avaliação global do Acordo de Paris e se reconheceu a necessidade de acelerar a transição para bem distante dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, além de ampliar as energias renováveis e melhorar a eficiência energética.
O grande balde de água fria foi a percepção de distância entre as metas e a velocidade das mudanças necessárias.
2025 — Belém
A COP30, no Brasil, aconteceu em um momento decisivo para a atualização das metas climáticas nacionais e para o debate sobre financiamento, adaptação e implementação de medidas. A partir dali, o desafio passou a ser transformar os compromissos apresentados pelos governos em medidas concretas.
Mas há uma questão central: quanto desse esforço saiu efetivamente do papel?
Às vésperas do encontro de Antalya, a própria Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) reconheceu que, apesar dos avanços na elaboração de políticas e metas nacionais, o progresso global ainda é insuficiente.
A história demonstra avanços importantes na elaboração de regras internacionais, mas também evidencia uma dificuldade recorrente: transformar acordos diplomáticos em reduções de emissões na velocidade exigida pela ciência.
O que avançou:
O que continua atrasado:
O desafio de Antalya
A conferência de Antalya, na Turquia, terá como grande questão central a necessidade de acelerar a implementação dos compromissos nacionais, ampliar o financiamento climático e fortalecer medidas de adaptação.
A cobrança se dirige, sobretudo, aos países ricos, que historicamente contribuíram mais para as emissões, porém têm maior capacidade financeira e tecnológica para apoiar a transição. Já para as nações em desenvolvimento, a disponibilidade de recursos e o acesso à tecnologia são fundamentais para transformar compromissos em políticas efetivas.
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