Polícia

Familiares e amigos homenageiam jovem morto em ação policial no dia em que ele faria aniversário: 'Não sei o que será da minha vida'; assista

BNews TV
Carlos Fernando, pai de Danilo, expressou sua dor e agradeceu o apoio da comunidade após a morte do filho  |   Bnews - Divulgação BNews TV


O dia que deveria ser de festa se transformou em uma data marcada pela saudade para familiares e amigos de Danilo Santos, conhecido como Danilinho. Morto no último sábado (24), durante uma ação da Polícia Militar no bairro de Santa Cruz, em Salvador, o jovem completaria 23 anos nesta sexta-feira (30).

Para lembrar a data, parentes e amigos se reuniram em uma quadra do bairro, onde Danilinho ajudava o pai a desenvolver um projeto social voltado para crianças da comunidade.

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Em entrevista ao BNews, Carlos Fernando, pai do jovem, falou sobre a dificuldade de lidar com a ausência do filho. Segundo ele, Danilo estava animado para comemorar mais um ano de vida ao lado dos amigos.

"É uma dor muito grande só de pensar que não vou ver mais meu filho. É uma saudade. Era um amigo, parceiro. Hoje, ele ia fazer aniversário. Já tinha expectativas com os amigos de curtir aqui no bairro, e a vida dele foi tirada assim. Meu coração está dilacerado. Não sei o que será de minha vida a partir de agora", desabafou.

Apesar do sofrimento, Carlos agradeceu pela homenagem e destacou as pessoas que têm oferecido apoio à família desde a morte do jovem. Para ele, a presença dos amigos tem sido fundamental para enfrentar o luto.

"Estou em pé por causa deles, que estão me dando força. Se não fosse por eles, eu ia querer sumir. Não consigo dormir, comer. Tudo que vem quando eu fecho os olhos vem a cena dele deitado no chão, e eu sem poder fazer nada, pois eu estava no trabalho", relatou.

A avó de Danilo também falou sobre a dificuldade de aceitar a morte do neto e criticou a atuação dos policiais militares. Segundo ela, a ausência do jovem ainda não parece real.

"Eles [policiais militares] mataram meu neto. Ele era meu filho caçula. Eles ficam ali na passagem, na maldade, para tirar a vida das pessoas. Se ficam ali no escuro, é por maldade. Eles destruíram a família, os amigos de Danilo, que só tinha sonhos e projetos. Hoje ele estaria sorrindo, alegre. No dia 5 [de novembro], ele trabalharia de carteira assinada", afirmou a idosa. 

Amigos lamentam a partida precoce do jovem

A ausência de Danilo também foi retratada por amigos e pessoas que conviviam com ele no bairro. Wellington Monteiro destacou a dedicação do jovem ao projeto social desenvolvido com o pai e relembrou a luta de Carlos Fernando para criá-lo.

Wellington contou que viu Danilinho passar por equipes de futebol, como Vitória e Galícia, além de participar de atividades esportivas no interior da Bahia. Segundo ele, o jovem também ajudava nas ações voltadas às crianças da comunidade.

"Eu atesto a idoneidade de Danilo, que morou a 20 metros da minha casa até alguns anos atrás. Vimos a guerra, a luta do pai dele que criava ele sozinho. Vimos Danilo passando pela base do Vitória, do Galícia, passando por interiores. Vimos ele auxiliando o pai no projeto social", disse.

O amigo também chamou atenção para o impacto da morte de Danilo nas iniciativas comunitárias do bairro. Ele afirmou que, além do projeto mantido por Carlos Fernando, outras atividades estão paralisadas.

"Além do projeto do pai, outros estão parados. Ele auxiliava o pai para que crianças não entrem para o mundo do crime, e o Estado, que deveria desenvolver esse papel social, nós recebemos isso como pagamento. É inaceitável. Ainda destroem a imagem do garoto, colocando-o como faccionado, criminoso e marginal", afirmou.

Durante a homenagem, Édson Santos, tio de Danilinho, também fez um apelo às famílias das crianças atendidas pelo projeto social. Ele convidou mães e pais a abraçarem Carlos Fernando e oferecerem apoio neste momento.

"Isso não vai trazer o filho de volta, mas vai fortalecê-lo. Quem dava força a Carlos para treinar mais de 150 crianças era Danilinho, porque ele conseguiu não deixar o filho entrar nesse mundo louco. [...] Está sendo muito doloroso para ele e para a família", afirmou. 

A amiga Carla Souza também relembrou a convivência com Danilo e contou que os dois participaram juntos de uma competição há pouco mais de um mês. Ela destacou o comportamento do jovem e os planos que ele tinha para o futuro.

"Ele era um menino bom, respeitador e amigo. Se você precisasse de algo, ele estava aqui para ajudar. Tiraram a vida de um jovem que sonhava em ser jogador de futevôlei, de ajudar a família", disse.

Morte durante ação policial

Danilo Santos morreu na madrugada de sábado (24), durante uma ação da Polícia Militar na localidade conhecida como Emídio Pio, no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador.

Em nota, a Polícia Militar informou que equipes do 30º Batalhão realizavam patrulhamento quando teriam sido surpreendidas por cerca de 15 homens armados. Segundo a corporação, houve troca de tiros e, após o confronto, os policiais encontraram Danilo e uma mulher feridos. Os dois foram socorridos para uma unidade de saúde, mas o jovem não resistiu.

A versão apresentada pela PM foi contestada pelo pai de Danilo. Em entrevista ao BNews, Carlos Fernando negou que tenha ocorrido troca de tiros e afirmou que o filho foi atingido por disparos feitos de dentro de uma viatura policial.

"Não teve nada de troca de tiro. Eles, dentro do carro, atiraram no meu filho", relatou.

Após a ação policial, a circulação de ônibus chegou a ser suspensa em áreas de Santa Cruz e Vale das Pedrinhas na segunda-feira (26), após ameaças. A interrupção afetou moradores que dependem do transporte público para se deslocar pela região.

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