Vida
O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), costuma despertar lembranças de pessoas queridas que já morreram. Para as crianças, a experiência da perda pode ser ainda mais delicada, especialmente quando datas como essa e o Natal, que se aproxima, reforçam a ausência de alguém da família ou até mesmo de um animal de estimação. Saber como conversar sobre a morte e acolher a saudade é fundamental nesse processo.
Para atravessar esse momento, especialistas recomendam que as famílias não escondam a morte e criem espaços para que os pequenos expressem a saudade.
Segundo a psicóloga Ruth Miranda, o luto infantil envolve não apenas a compreensão da perda, mas também a adaptação ao novo cenário familiar. A maneira como os adultos lidam com a situação influencia diretamente a forma como a criança elabora o sofrimento.
“O luto infantil é um processo em que a criança não apenas assimila o impacto da perda, mas também interage com o ambiente familiar para elaborar o sofrimento e se adaptar ao novo momento”, explica.
A especialista destaca que minimizar ou ocultar a morte pode aumentar os riscos de sofrimento emocional. Por outro lado, o acolhimento, o diálogo e a possibilidade de demonstrar sentimentos ajudam a criança a desenvolver recursos para lidar com a ausência.
Uma das principais recomendações é manter uma comunicação aberta, sincera e adequada à idade da criança. Em vez de evitar o assunto ou utilizar explicações que possam gerar confusão, os familiares devem falar sobre a morte de maneira simples e honesta.
Desenhos, histórias e outras atividades lúdicas também podem facilitar a compreensão do que aconteceu. O objetivo é permitir que a criança faça perguntas, manifeste suas dúvidas e expresse sentimentos como tristeza, raiva, culpa ou confusão, sem medo de julgamentos.
Outro cuidado é respeitar o tempo de cada criança. Enquanto algumas demonstram a saudade por meio do choro e de conversas, outras podem apresentar dificuldades para falar sobre a perda.
As despedidas e as homenagens também podem fazer parte do processo de elaboração do luto. Algumas empresas do setor funerário passaram a oferecer espaços e atividades voltados à participação das crianças em cerimônias e celebrações familiares.
É o caso da Luto Curitiba, que promove atividades em datas como o Dia de Finados e as celebrações de fim de ano. A programação inclui momentos religiosos, brincadeiras e espaços de recreação.
“As celebrações que organizamos em datas como dia de finados e final de ano sempre são destinadas à família, o que inclui as crianças. Além de momentos de fé, como missa e orações, preparamos atividades e brincadeiras. Montamos uma estrutura no jardim do cemitério com camarim de pintura, mesas de jogos e soltura de balões. Assim, os filhos acompanham os pais de forma natural”, afirma Luis Henrique Kuminek, diretor da empresa.
A criação de novos rituais familiares pode ajudar a criança a conviver com a ausência sem precisar apagar as lembranças de quem morreu.
Entre as possibilidades estão montar álbuns de fotografias, escrever cartas para a pessoa que partiu, desenhar momentos especiais ou plantar uma árvore em homenagem a ela. Essas atividades permitem transformar as recordações em manifestações concretas de carinho.
Durante o Natal, a família também pode reservar um momento para relembrar histórias e experiências positivas vividas com o ente querido. A proposta é integrar a memória à celebração, respeitando os sentimentos de cada integrante.
A manutenção da rotina também merece atenção. Horários, atividades cotidianas e momentos de convivência ajudam a proporcionar segurança e previsibilidade em uma fase de mudanças emocionais.
Embora a tristeza faça parte do processo de luto, algumas mudanças de comportamento merecem atenção dos familiares. Isolamento e regressão comportamental estão entre os sinais mencionados pela psicóloga Ruth Miranda.
Quando essas manifestações persistem ou provocam dificuldades na rotina da criança, a orientação é procurar apoio psicológico especializado.
A especialista reforça que o acompanhamento profissional pode ajudar tanto os pequenos quanto os familiares a compreenderem e enfrentarem a perda. Dessa maneira, segundo a psicóloga, o acolhimento não precisa significar esconder a tristeza, mas oferecer condições para que a criança encontre segurança e apoio enquanto aprende a conviver com a saudade.
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