BNews Gastrô
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 06/11/2026, às 12h00
Cozinhar, como verbo, é uma atividade que — como todas as outras artes — exige identidade. E essa identidade, geralmente, se expressa nos pratos. Cores, sabores, forma e apresentação: tudo compõe a assinatura de um chef. É isso, muitas vezes, que marca a experiência de ir a um restaurante e a define como boa, péssima ou apenas esquecível.
Como a do Pala7.
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O Pala7 Rooftop, no Tira-Chapéu, é comandado pelo francês Claude Troisgros e é um dos restaurantes mais comentados da capital desde sua inauguração, em 2024. O espaço é belíssimo: com 300 m², o restaurante unifica parte do terraço do Palacete com os edifícios conhecidos como Casarão Amarelo, de arquitetura eclética, e Art Nouveau.
Confesso que minhas expectativas com o Pala7 estavam bem altas. Acompanhei Claude no Mestre do Sabor e no Que Marravilha! Chato pra Comer. Além da personalidade bastante cativante, ele demonstra grande habilidade para fazer comidas bonitas e apetitosas. Afinal, um chef com estrela Michelin — conquistada pelo Madame Olympe, no Rio de Janeiro — não é qualquer coisa.
A proposta do cardápio é, ou seria, combinar referências da cozinha baiana, italiana e mediterrânea. Mas o resultado passa longe disso. A maioria dos pratos é de origem italiana: risotos, lasanhas, carpaccios, caprese, burratas e massas em geral. Não há nada inovador no menu e, talvez, a decepção comece justamente aí.
Depois de folhear o cardápio, minha escolha foi o risoto de camarão com espuma trufada de cogumelos e crumble de parmesão. O preço: R$ 148.
A apresentação é bem bonita e a panelinha de barro é uma referência inteligente (mas já batida) à Bahia. Mas talvez seja esse o máximo de identidade que foi possível encontrar no prato. O risoto é um risoto: bom, mas não espetacular; os camarões são gostosos, mas não surpreendem. E a espuma de cogumelos é algo difícil de definir — mas fácil de esquecer. Como o prato inteiro.
De fato, a comida está bem longe de ser ruim. Mas igualmente distante de incrível.
Todo mundo já comeu uma quantidade inacreditável de risotos na vida, bons e ruins, e certamente esqueceu vários deles. Mas a experiência de comer um risoto assinado por um chef de restaurante estrelado deveria ser menos esquecível.
E ter mais camarões.
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